Madalena sem espelhos.
Ela não tem mais lembrança de há quanto tempo o conheceu, ou se são os melhores amigos, amantes ou a mesma pessoa.
Mas ela tem certeza sobre o que acontecerá com eles, porque sempre foi assim. Eles se reconhecem.
Se dissolvem. São separados em um corte cego. A dor que leva ao silêncio. O ódio. O Pai.
Uma coreografia de tragédia que eles nunca escreveram ou souberam se poderiam apagar.
Os olhares ao meio. Os sussurros em ondas. Os braços viram galhos e os galhos sempre apontam.
As ondas quebram em pedras e a água muda de cor. Por quê? Por quem? Chega.
O que é e para quem.
Aos Olhos Do Lobo mostra as últimas horas de Maria Madalena antes da ruptura.
O que sempre foi se quebra, e aquele acima de todos se torna fúria.
Um mártir para os hipócritas. Uma lição para o filho que levanta dúvidas.
Em grande parte eu fiz esse filme para lidar com duas perdas pessoais.
Ou isso me corroía ou eu transformava em algo. E arte geralmente é o melhor rumo.
É um trabalho irmão do meu curta Não Mais!, mais acessível embora não completamente.
Acho que qualquer um fora da caixa conseguirá se identificar, de uma forma ou outra. Talvez.